19 maio 2011

Mark Strand (1934-)



BLACK SEA

One clear night while the others slept, I climbed
the stairs to the roof of the house and under a sky
strewn with stars I gazed at the sea, at the spread of it,
the rolling crests of it raked by the wind, becoming
like bits of lace tossed in the air. I stood in the long
whispering night, waiting for something, a sign, the approach
of a distant light, and I imagined you coming closer,
the dark waves of your hair mingling with the sea,
and the dark became desire, and desire the arriving light.
The nearness, the momentary warmth of you as I stood
on that lonely height watching the slow swells of the sea
break on the shore and turn briefly into glass and disappear ...
Why did I believe you would come out of nowhere? Why with all
that the world offers would you come only because I was here?

MAR NEGRO

Numa noite de calmaria, enquanto os outros dormiam, subi
as escadas até ao telhado da casa e sob um céu
repleto de estrelas contemplei o mar, em todo o seu esplendor,
as suas rugosas crostas alinhadas pelo vento, tornando-se
como pedaços de renda lançadas pelo ar. Ali estive, na longa e
murmurante noite, esperando por algo, um sinal, a chegada
de uma luz distante, e imaginei-te a aproximares-te,
as ondas escuras do teu cabelo misturando-se com o mar,
e a escuridão tornando-se desejo, e o desejo a luz que se abeirava.
A tua proximidade, o teu calor momentâneo estando eu parado
naquele alto solitário, observando as lentas vagas do mar
quebrar na praia e em breve a passar a vidro e a desaparecer...
Porque acreditei que do nada irias aparecer? Porquê, com tudo
o que há no mundo, virias ter comigo só porque eu estava ali?

(In Blizzard of One, 1998)

1 comentário:

  1. Que poema extraordinário e a tradução do mesmo é de alta qualidade. :-)

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